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Beto Colombo

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O tempo existe?

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Nos séculos XVII e XVIII, quando o protestantismo estava em pleno apogeu na Europa, espalhavam-se os discípulos de Martinho Lutero pela Alemanha, de João Calvino pela Suíça, e iniciava-se o grande êxodo de europeus para o Novo Mundo. No Brasil, como resultado dos movimentos abolicionistas, contratavam-se trabalhadores para substituírem os escravos. 

Então, para cá vieram católicos italianos, espanhóis e alemães, que se juntaram aos católicos portugueses. Mas nos EUA, quem realmente imigrou, em sua grande maioria, e adotou a América do Norte como pátria, foram os puritanos. 

Aqui, era mais fácil um camelo passar no buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus. Lá, a doutrina empregada era, e continua sendo, a do acúmulo de riquezas. “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância”, foi o que eles extraíram da Bíblia. Para eles, quanto mais riqueza o sujeito acumulava, mais perto da salvação estava.

Surgiu do puritanismo protestante essa obsessão por aproveitar produtivamente cada minuto livre. Antes disso, o tempo era medido por tarefas: quem perguntasse a que horas um cidadão voltaria para casa, ouviria a seguinte resposta por exemplo: “Assim que ele assentar cinco metros de muro”. Foram os protestantes os principais responsáveis pela inversão de tal lógica.

Trabalhar passou a ser uma forma de louvar ao Senhor, e o tempo ocioso virou ofensa moral, uma heresia. Assim, o tempo deixou de ser medido por tarefas realizadas; as tarefas é que passaram a ser medidas em tempo.

Foi desse período a famosa frase: “Tempo é dinheiro”. A partir das ideias que ela veicula, tornamo-nos escravos dessa crença e inundamos nossas vidas com sequências de compromissos com mínimos intervalos.

Para mim, foi a partir daí que nos  tornamos cada vez mais inpacientes, querendo informação imediata, nos transformando em consumidores nunca satisfeitos. Afinal de contas, o tempo existe? Mais: é o tempo que passa rápido ou somos nós que passamos? 

Eu sou Beto Colombo e hoje acredito nisso.

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Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 02/07/2009.

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