Querido leitor, que você esteja bem. Hoje vamos falar sobre culpa.
Durante este tempo de coluna “Como o Mundo me Parece” aqui no jornal A Tribuna e na Rádio Som Maior Premium, já enfoquei diversos temas, sempre com um intuito: jamais dar um conselho, se fechar num caminho ou exaurir qualquer debate.
Pelo contrário. A ideia tanto do artigo quanto do comentário já está explícita na chamada dos programas no rádio, que diz: “Um olhar atento sobre o cotidiano, a reflexão aberta sobre a vida”.Quero agradecer publicamente as centenas de comentários postados no site www.betocolombo.com.br, todos são convidados a deixar suas opiniões, sugestões. Que tal?
Mas, como iniciei meu artigo de hoje, voltemos ao tema, que é culpa.
Lembro-me que recentemente comentei sobre o medo. Naquela ocasião falei que o medo é um sentimento que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa. E que a resposta anterior ao medo é conhecida por ansiedade.
Hoje, então, vamos discorrer sobre culpa, que pode ser encarada como um sofrimento após reavaliação de um comportamento passado, tido como reprovável por si mesmo. Aqui nos vemos auto-cobradores de si mesmos de uma situação ideal, mas, como sabemos, o ideal é só um ideal.
Às vezes nos fixamos num trabalho ideal, num relacionamento ideal, pais ideais, vida ideal, enfim, uma existência ideal. Mas, como sabemos, ideal é apenas uma ideia que provavelmente jamais vamos alcançar. Por isso é ideia, ideal.
Também, como sabemos, de um lado da extremidade temos o Ideal, mas de outro lado, temos o Real, a realidade, não como a imposta pelo Rei, por isso real, mas a realidade como fato, como ação, como movimento. Sonhamos com um mundo ideal, mas nos deparamos com o real.
Aquele cargo de diretor de uma multinacional restringiu-se a uma gerência de uma média empresa regional, aquele relacionamento com um tipo de pessoa teima em se apresentar diferente do sonhado, aqueles pais que deveriam ser de um jeito insistem em ser de outro, aquela vida totalmente diferente da querida se apresenta assim, como ela é. É a realidade, é o que realmente é, não o que sonhamos que seja.
Para amenizar a culpa muitas vezes devastadora em nossas vidas, pois ficamos pressionados entre o ideal e o real, há o possível. Claro que para viver sabiamente sob o termômetro não mais do real nem do ideal, mas do possível, é provável que nossas existências se aproximem de uma vida mais plena e verdadeira.
O cargo que tenho é o possível, a relação que tenho restringe-se ao que estou preparado a ter, sou um pai ou uma mãe que posso ser e dou a meus filhos o que posso dar, minha vida é a possível. Talvez, vivendo assim, deixemos o mundo das idealizações, não nos conformamos com o real, e assim, nos movemos em busca do possível.
É assim como o mundo me parece hoje, um mundo possível. E você, o que pensa sobre culpa?
______________________________________________________ Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 11/10/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 13/10/2011. Leia artigos inéditos nesse espaço a partir do dia 26 de março.