Segundo a mitologia, abriu-se a Caixa de Pandora. Mas, afinal, que caixa é essa?
Conta-se que Prometeu avisou a seu irmão Epimeteu: - Tome cuidado com os presentes de Júpiter. Já há algum tempo que ele anda furioso comigo porque ousei roubar o fogo dos céus para levá-lo aos homens. Mas, enquanto isso no Olimpo, Júpiter já havia ordenado a Vulcano que criasse uma criatura semelhante ao homem. Diante do pedido, ele e Minerva criaram uma linda mulher, quase tão bela quanto a mais bela das deusas. E Minerva apresentou-a a Júpiter, sugerindo-lhe chamá-la de Pandora.
Júpiter, o pai dos Deuses, antes de dispensar a criatura, chamou-a a um canto e lhe disse que pretendia presenteá-la com uma caixa que, no entanto, não poderia ser aberta em hipótese nenhuma.
Levando sua caixa, Pandora apresentou-se diante de Epimeteu. Porém, sua curiosidade foi mais forte. À noite, estendeu imediatamente a mão em direção ao seu presente. Não podendo mais conter o desejo de abri-lo, ergueu a tampa da caixa numa volúpia insana de curiosidade que lhe pôs na espinha um arrepio gelado. Nem bem a tampa se abriu e Pandora viu escapar algo, a princípio sem forma, parecendo que todos os ventos do mundo escapavam desordenadamente dali na pressa da fuga. Depois, surgiram vários rostos deformados como retratos horrendos de doenças, febres renitentes, inveja, todos os vícios que viriam acometer, no futuro, a alma humana.
Gula, avareza, arrogância, crueldade, egoísmo, todos os defeitos humanos dançavam uma ciranda infernal sobre sua cabeça, até que, arremessando-se à caixa, conseguiu finalmente fechá-la. Mas o mal já estava feito e Pandora olhou e viu, no fundo da caixa, uma única criatura com um rosto maravilhoso, belo e eternamente jovem. Chamou-a de “Esperança” e foi assim, com esse valioso presente, que Pandora se apresentou diante dos homens.
Provavelmente você já viveu ou presenciou momentos em que uma série de acontecimentos negativos rondou sua vida. O que fazer em momentos assim? Não sei se esta dica serve para todos os casos, mas adianto que deu certo no meu caso.
Primeiro, tente entender o que esses sinais estão querendo lhe dizer e tire proveito das lições obtidas.
Em segundo lugar, não se precipite, pense por pelo menos sete dias, antes de tomar uma decisão que dará novo rumo à sua vida, ou ao seu negócio. Mas, por favor, não cometa o erro do comodismo e não caia na armadilha de achar que tudo voltará a ser como era antes, pois isso não acontecerá. As coisas precisam mudar e mudar às vezes para melhor.
E se essas dicas não servirem, que tal os do Marquês de Alorna, ao Rei de Portugal, Don José, após o terremoto que destruiu Lisboa em 1755? Don José pergunta-lhe: - O que devo fazer, Marquês? E ele respondeu: - Sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos.
Em outras palavras, “sepultar os mortos”, nos diz que não adianta ficar chorando, reclamando pelo ocorrido. Ele já é passado e, como tal, deve ser sepultado. “Cuidar dos vivos” talvez seria investir no presente, no que ficou, nas pessoas, nos vivos, e fazer o que precisar ser feito. Recomeçar. “Fechar os portos”, provavelmente quer dizer que não podemos cometer o mesmo erro. Vamos nos fortalecer internamente e focar a reconstrução.
E é sempre bom lembrar de uma frase célebre de Nietzsche “O que não nos mata, nos fortalece”.
Tudo morreu, tudo acabou, menos a esperança.
É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre a caixa de Pandora?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 12/12/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 13/12/2011
jose waldemir de melo - 12/12/2011
que continues nos brindando com estas maravilhas, durante muitos anos. Tua leitura e ótima e teu livro Muito alem do caminho de santiago é maravilhoso,as fotos sao de primeira e, a que mais me emociona sempre que o abro para reler é a do mendigo com o passaro pousado em seu pé.
jose waldemir de melo - 12/12/2011
que continues nos brindando com estas maravilhas, durante muitos anos. Tua leitura e ótima e teu livro Muito alem do caminho de santiago é maravilhoso,as fotos sao de primeira e, a que mais me emociona sempre que o abro para reler é a do mendigo com o passaro pousado em seu pé.
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