Blowing in the Wind
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Querido leitor, que você esteja bem. Hoje vamos refletir sobre a música Blowing in the Wind.
O cantor e compositor brasileiro, Caetano Veloso, disse há anos que todas as músicas já foram escritas, o que os artistas estão fazendo agora é dizer as mesmas coisas com outras palavras, com outras melodias. Mas se ele tiver razão, em algum momento as músicas, enfim, foram escritas. Houve um início, uma inspiração.
Eu poderia aqui falar das músicas brasileiras, estadunidenses, latinas, celtas, enfim, músicas de todo o nosso planeta. E olha que meu objeto não é o intérprete, aquele que dá vida à criação do compositor, mas a letra em si.
A materialização de um sentimento, de um pensamento, de um desejo que se molda a refrãos, partituras, estribilhos. Por isso compartilho com você, hoje, a música Blowing in the Wind, escrita e interpretada por Bob Dylan em 1963.
Canta Bob Dylan: “Quantas estradas precisará um homem andar, antes que possam chamá-lo de um homem? Sim e quantos mares precisará uma pomba branca sobrevoar, antes que ela possa dormir na praia? Sim e quantas vezes precisará balas de canhão voar, até serem para sempre abandonadas? Para toda pergunta, há uma resposta, que para o cantor: “A resposta, meu amigo, está soprando no vento, a resposta está soprando no vento”.
Seu hino de protesto fala sobre ecologia, simplicidade, sonho e futuro: “Quantas vezes precisará um homem olhar para cima, até poder ver o céu? Sim e quantos ouvidos precisará um homem ter, até que ele possa ouvir o povo chorar? Sim e quantas mortes custará até que ele saiba que gente demais já morreu?”. Para Dylan, “a resposta meu amigo está soprando no vento”.
Em seu jogo filosófico de palavras, em seu terceiro parágrafo, o cantor estadunidense continua com seus questionamentos:
“Quantos anos pode existir uma montanha, antes que ela seja lavada pelo mar? Sim e quantos anos podem algumas pessoas existir, até que sejam permitidas a serem livres? Sim e quantas vezes pode um homem virar sua cabeça e fingir que ele simplesmente não vê?”... “A resposta meu amigo está soprando no vento”...
Aqui, em nossa coluna Como o Mundo me Parece, mais do que respostas, sempre procuramos fazer perguntas, pois estas, as perguntas, nos fazem movimentar, ir além; já aquelas, as respostas, talvez nos deixem acomodados.
Numa música com nove perguntas, ele chega ao final e nos dá a saída: “A resposta meu amigo está soprando no vento”... A resposta, meu amigo, a resposta está no ar.
É assim como o mundo me parece hoje. E você, onde pensa que podem estar as repostas?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 28/10/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 29/10/2011