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Beto Colombo

Manhãs de Domingo

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Querido leitor, namastê! Com a capacidade sagrada da imaginação sei que, para muitos, isso não é difícil, imagine essa situação real que ocorreu em minha vida. Eu estava na Praça do Congresso, um dos locais mais agradáveis de Criciúma. Era domingo e quase dez horas. 

O sol já nos aquecia ao mesmo tempo que fazia sombra nas árvores verdes e bonitas do local. Sentado em um dos muitos bancos do local, ouvia cantos de bem-te-vi. Via famílias inteiras fazendo piquenique, crianças correndo de um lado para outro, tudo era alegria, felicidade, descontração. 

Esse clima me levou para minha infância, me remeteu a minha essência como ser humano, como pessoa. Esse sentimento me trouxe uma alegria indizível, um sentimento difícil de explicar, uma sensação de leveza e de paz. Parecia que eu levitava. 

Por favor, não pare de imaginar o contexto em que eu estava imerso naquele domingo. Eis que, de chofre, me chega uma senhora e me pergunta: 

- O senhor não é o Beto? 

- Sim, meu nome é Beto Colombo. Respondi meio sem saber direito o que me esperava. 

- Beto Colombo da Anjo, né? 

Novamente respondo positivamente, mas agora já desconfiava para onde nossa conversa pudesse descambar. Quando ela mencionou a empresa a que presido, não quis tirar conclusões precipitadas, mas minha intuição me adiantava o que ela queria. 

- Sabe o que é. É que meu filho terminou recentemente engenharia química e está procurando um trabalho. Será que o senhor não poderia dar uma oportunidade para ele? Na verdade, ela queria arrumar um emprego para seu filho em pleno domingo pela manhã, em plena Praça do Congresso. 

Sem querer, é óbvio, mas aquela senhora me tirou de todo aquele clima de cidadão do mundo, de ser humano que busca e vive a inteireza do ser, para me jogar para dentro de uma empresa. Mesmo que eu não quisesse, ela me tirou do domingo e me jogou para a segunda-feira, me pôs dentro de uma empresa com trabalho e responsabilidades, às vezes, muito pesados e difíceis de se levar.
“Será que ela me viu?”, perguntei-me. Ou será que ela só viu algo que lhe interessava explorar? Refletindo sobre essa experiência muito forte que ainda reverbera dentro de mim, reflito se temos o direito de entrar na vida do outro inadvertidamente e tirá-los das manhãs de domingo e jogá-las diretamente para a segunda-feira. 

Namastê! Foi com essa palavra indiana que iniciei meu comentário hoje e é com ela que finalizo. Namastê que dizer: o ser sagrado que habita em mim, saúda o ser sagrado que habita em ti. Eu te vejo, eu te reconheço. 

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que tem feito para não tirar as pessoas de seus domingos pela manhã e levá-las para as segundas-feiras?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 18/05/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 19/05/2012.

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